Greve nas cantinas <br>foi aviso de luta aos patrões

EXPLORAÇÃO Com pessoal reduzido, a auferir salários baixos e sem actualização há sete anos, as empresas concessionárias de cantinas, refeitórios e bares querem reduzir os direitos dos trabalhadores.

Os direitos atacados valem muito mais que o aumento prometido

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No dia 15, segunda-feira, os sindicatos e a federação da CGTP-IN no sector da alimentação, hotelaria e turismo promoveram uma greve de 24 horas e realizaram concentrações em Lisboa, frente à associação patronal Ahresp, e na Maia (São Pedro de Fins), junto aos escritórios do Grupo Trivalor. Desta forma, foi dada força às reivindicações dos trabalhadores das cantinas, áreas de serviço e bares concessionados: aumentos salariais, defesa dos direitos e negociação do contrato colectivo de trabalho (CCT).

A greve, com um nível de adesão, em média, superior a 70 por cento, impediu o funcionamento de muitas cantinas escolares (mais de 40, no Norte, e 50, no Centro), mas também em vários centros de formação do IEFP (encerraram os de Aveiro e Seia) e em hospitais (nestes cumprindo serviços mínimos). Na informação divulgada ao fim da manhã de terça-feira, após uma reunião do organismo dirigente da Fesaht/CGTP-IN, foram ainda referidas elevadas adesões em refeitórios de fábricas, embora aqui se registasse uma média mais baixa.

«Este foi um sério aviso às empresas», concluiu o Sindicato da Hotelaria do Norte, numa nota que acompanhou a publicação de fotografias da concentração na Maia.

Antes da greve, as empresas Gertal e Itau (do Grupo Trivalor, de que também faz parte a Sogenave) difundiram um comunicado a anunciar aumentos salariais este mês, com efeitos a 1 de Janeiro. Os sindicatos contrapõem que este «aumento» é de apenas dois por cento, quando a inflação acumulada desde 2010 foi de nove por cento.

Por outro lado, os patrões «vão tentar aplicar o acordo vergonhoso de revisão do CCT, assinado com os dirigentes fantoches da UGT, que retira o subsídio nocturno das 20 às 24 horas, reduz para metade o pagamento nos feriados, prevê horários de 12 horas diárias, banco de horas, horários concentrados e apenas um dia de folga, acaba com os quadros de densidades e carreiras, cria uma uma categoria para fazer tudo no refeitório, desde a limpeza à confecção das refeições, cria o contrato intermitente para não pagar o salário nas pausas escolares». Assim sendo, a luta vai continuar, asseguram as estruturas da Intersindical no sector.

Solidariedade do PCP

Com os trabalhadores concentrados na sede do Grupo Trivalor, esteve uma delegação do PCP, da qual fizeram parte as deputadas Diana Ferreira e Ana Virgínia Pereira, que saudaram a luta e reafirmaram o compromisso do Partido com os trabalhadores e esta justa luta.

 

Diferente em Santo Tirso

Para 21 de Abril, foi convocada uma greve nas cantinas escolares do concelho de Santo Tirso, concessionadas à Uniself. A decisão partiu de um plenário onde foi aprovado um caderno reivindicativo, a 14 de Março, no âmbito da semana nacional de luta contra a precariedade.
A greve acabou por ser suspensa, quando a empresa aceitou reclassificar as cozinheiras de 3.ª para 2.ª e aplicar uma actualização salarial de 2,2 por cento. No total, estas duas medidas representaram um acréscimo real de 60 euros por mês.

 



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